Jide Remix Mini e Remix OS, parte II: software

Jide Remix Mini com Motorola Lapdock

Este post foi feito em cima do Remix OS 2.0.16, baseado no Android 5.1, o mais atual para o Remix Mini quando este post foi publicado.

O Remix OS surgiu, junto com a Jide, quando apareceu o Ultratablet; um 2-em-1, surfando na onda do sucesso do Surface, que mostrava um Android forkeado e profundamente modificado para ser mais amigável com teclado e mouse. O tablet praticamente não saiu da China, mas o sistema operacional começou a ganhar interessados ao redor do mundo, saciados com o Remix Mini e o Remix OS para PC.

Desktop do Remix OS

O desktop é bem familiar; tem o que se espera de um ambiente desktop ortodoxo (ícones no desktop, menu iniciar, barra de tarefas, atalhos de som/rede/Bluetooth, data/hora, uso do botão direito), algumas dicas importadas do Windows 10 (barra preta, central de notificações, um menu iniciar que não parece vindo do Windows 7) e a bola/Home da barra virtual do Android, fazendo seu papel de voltar para o desktop – ou, com um pressionamento mais longo, de abrir o menu iniciar.

(E como alguém vai perguntar, o triângulo/Back da barra virtual do Android foi para o canto superior esquerdo das janelas enquanto o quadrado/Multitask… quem precisa dele quando se tem barra de tarefas?)

Vários apps no Remix OS

Os apps abrem, por padrão, em modo janelas, podendo ser minimizados, maximizados e fechados com os tradicionais botões; um clique com o botão direito no ícone do app na barra de tarefas permite fazer com o que o app seja reaberto em modo fullscreen, sendo necessário um mouseover para aparecer o chrome da janela. Duplo-clique com o botão esquerdo em cima da barra superior maximiza/desmaximiza a janela.

Chrome e Gmail

O Remix OS não seria um ambiente desktop sem um gerenciador de arquivos; é bem simples, cumpre seu objetivo de copiar e mover arquivos entre pastas e armazenamentos locais (memória interna, pendrives USB). Tem um compactador/descompactador chamado RAR e tem um app de limpeza de memória escondido nos ícones de notificações. Eu REALMENTE gostaria de saber porque todo mundo na China acha que o Android TEM que ter app de limpeza de memória.

A Jide fez um tremendo trabalho de customizar a interface do Android, e conseguiu seu objetivo: o Remix OS é o esforço mais bem-sucedido para fazer o Android se portar como um ambiente desktop. Os apps abrem em janelas, o ambiente é reconhecível como desktop, as coisas estão mais ou menos dispostas de maneira familiar, as teclas e suas combinações fazem o que a memória espera que elas façam na navegação pelo sistema. Com um pouco de tempo, é possível ter uma produtividade bem próxima a de um sistema operacional desktop “nativo”; dependendo da situação, o Remix pode ser tão ou até mais produtivo que um SO desktop, graças a coisas como os Intents.

Pocket em fullscreen

Nem tudo é perfeito, porque alguns problemas aparecem ao longo do uso:

  • Por padrão, o Remix OS “fala” inglês e chinês; para que fale português, é necessário ir em Settings -> Experimental features -> Global languages.
  • A acentuação no Android exige que se memorize Alt-e (acento grave), Alt-i (circunflexo), Alt-c (cedilha), Alt-n (til), Alt-u (trema).
  • Os apps Android não estão preparados para um mundo com teclado e mouse:
    • apps que dependem de pinch-to-zoom precisam que o usuário vá nas features experimentais e ligue o suporte a Ctrl-Alt-click+hold do mouse
    • barra de rolagem não se sabe não se viu, então o mouse estar com a rodinha de rolagem em dia é essencial.

Nenhum desses problemas invalida o que a Jide conseguiu. Não por acaso as pessoas estão empolgadas em rodar o Remix OS em PCs comuns; para quem quer ter a força, a versatilidade e os apps do Android no PC, o Remix OS é a melhor opção.

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