No 2016 dos supermédios, 65x é o novo 820

Já sabemos que 2016 é o ano dos supermédios: do que intuitivamente entendemos como topos de linha, nas duas primeiras grandes feiras do ano tivemos apenas o Galaxy S7 e o G5 “full”; e se relaxarmos e definimos que basta o Snapdragon 820 ou equivalente Exynos/HiSilicon, somamos o Xiaomi Mi5 e o Sony Xperia X Performance. E isso não é em todos os mercados; se tirarmos o fato da Xiaomi atuar em um número limitado de países, sabemos que em boa parte do mundo não veremos o X Performance e o G5 virá com Snapdragon 652 e 3GB de RAM.

Ou seja, para boa parte do mundo, realisticamente um dispositivo com Snapdragon 65x (Xperia X, G5 H840, até mesmo o Galaxy A9 que – acho – não ficará restrito à China1) será o topo de linha possível.

E porque chegamos ao “65x é o novo 820” do título do post? Tenho aqui algumas possíveis respostas.

  • A era do bom o suficiente. Chegamos a um ponto do desenvolvimento dos SoCs em que a experiência de usuário não muda muito entre um telefone com um 65x, ou mesmo chips mais antigos como os 80x, e um com 820 – a não ser, tal como nos PCs, que você seja um gamer voraz de jogos pesados. Ou seja, um SoC supermédio não é o ideal, mas é “bom o suficiente” pros usos que as pessoas fazem dos celulares.
    A MediaTek entendeu isso muito bem em 2014 (apesar de continuar fazendo a elegia do empilhamento de cores, ignorando a Lei de Amdahl), e a Qualcomm foi obrigada a correr atrás, primeiro com o 808, agora com os 65x.

  • A conversa mudou para câmeras, baterias, telas. Um dos resultados da era das selfies que vivemos é que as pessoas passaram a dar muita importância aos sensores e lentes nas câmeras dos celulares2. Então o fabricante, entendendo isso, pode investir o economizado num chip “bom o suficiente” para comprar o sensor Sony do momento, inclusive porque ajuda na hora da propaganda.
    Além disso, enquanto não surge uma inovação disruptiva que multiplique a capacidade das baterias, usar SoCs que p.ex. não torrem bateria com jogos muito pesados é uma boa maneira de manter este bem precioso.
    E, claro, um telefone com tela Quad HD continuará sendo um telefone com tela Quad HD e portanto impressionando os compradores, mesmo com um SoC “menor”.

  • Preço para quem quer preço. O dólar disparou no mundo inteiro, os preços encareceram em todas as moedas que não são emitidas pela Reserva Federal nos EUA. Esta disparada só aumentou a sensibilidade a preço (seja por falta de poder aquisitivo, seja por saturação de mercado) destes mercados. Então que trocar por um SoC bom o suficiente, manter o que as pessoas estão procurando, e cortar 200 euros, ou 1000 reais, sei lá, do preço passa a compensar muito.

É óbvio que quem quiser um X Performance, ou um G5 modelo com 820, nos países onde estes modelos não foram vendidos, vai conseguir: tem sempre um eBay, um MercadoLivre, um amigo visitando Nova York ou Miami. No entanto, a aposta de LG e Sony (e de Alcatel) é que o 65x é o novo 820 e as pessoas entenderão isso.

E talvez estejam certos.

(Nota: a BBK Vivo, uma das que mantém vivas a chama da corrida das especificações, também adotou a estratégia de dois níveis para seu topo de linha.)


  1. Não acho que a Samsung não lançará o Galaxy S7/S7 edge em algum lugar, mas desconfio fortemente que ela aproveitará a janela de oportunidade e carregará na margem de lucro. 
  2. Sei que sensores e lentes são apenas parte da discussão fotográfica, mas… 
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