BQ, Mediatek e os fabricantes de SoCs como vetores de desatualização no Android

Um dos pontos críticos da engrenagem necessária para atualização de qualquer dispositivo é o fabricante do SoC; o nível de integração entre os componentes do chip (CPU, GPU, modem etc etc etc) torna quase imprescindível a sua participação em qualquer tentativa dos fabricantes de dispositivos em atualizar o aparelho, seja por motivos de segurança, seja para receber novas versões.

Por outro lado, os fabricantes estão sob enorme pressão dos consumidores para lançarem atualizações para os softwares dos seus dispositivos, no mínimo, durante a vida útil de mercado do aparelho (em geral, entre 12 e 24 meses); e, para que respondam a este anseio dos consumidores, precisam do apoio do fornecedor do SoC.

E o que acontece quando o fornecedor do SoC não colabora na atualização? Ou pior: o que acontece quando o fornecedor do SoC “puxa o tapete” do fabricante de dispositivos?

Acabamos de saber: a BQ anunciou que não atualizará a linha Aquaris E para o Android Lollipop E que rompeu relações comerciais com a Mediatek, passando a ser Qualcomm-only (ou quase isso).

Segundo relata a BQ, durante o processo de desenvolvimento da atualização dos Aquaris E5 FHD, E6 e E10, chegou-se a uma situação em que era necessária a participação da Mediatek para corrigir erros e instabilidades nos drivers; a resposta da fornecedora foi “não estamos mais prestando suporte aos SoCs que vocês usam nestes aparelhos”. Com isso, a BQ, com o software em beta, não pode terminar o processo e lançar a atualização em aparelhos que tinham a promessa de recebê-los.

(A BQ prometeu liberar os betas existentes, o código GPL para que desenvolvedores possam desenvolver ROMs comunitárias e um voucher de desconto para compra de outros dispositivos.)

É importante lembrar que a Mediatek não é conhecida por facilitar na atualização dos dispositivos com seus SoCs – e que a BQ, sabendo disso, fez uma promessa de atualização. Também é importante lembrar de que 2016 tem sido um ano bem complicado para a BQ; fabricantes em melhor situação econômica, no mínimo, pensariam na ideia de passar por cima das negativas da fornecedora do SoC e fazerem, elas mesmas, o desenvolvimento.

Mas fica a lição: a cadeia de atualização de software de um dispositivo moderno é complexa, tem como ponto focal o forncedor do SoC. E que, se você promete atualizar um dispositivo, tenha a certeza que seu fornecedor não lhe deixará na mão – ou desista da atualização e/ou do fornecedor.

Anúncios