Remix Singularity: a Jide tenta a sorte na convergência

Tanto o Windows Continuum quanto o Ubuntu Convergence são grandes ideias que ainda não “pegaram”, mas isto não impediu a Jide de lançar o Remix Singularity, parte essencial do Remix OS for Mobile.

A vantagem da Jide é que o Remix OS é uma das poucas (a única?) soluções de desktop Android que resistiu aos primeiros meses do hype, então tentar a convergência com uma ROM para telefones é um caminho natural. Ainda assim, é uma luta que ninguém conseguiu vencer até agora.

Remix IO: o Remix OS chega aos set-top boxes

Depois de tablets, mini PCs e tudo-em-um, o Remix OS chega aos set-top boxes, com o Remix IO, novo crowdfunding da Jide.

https://www.kickstarter.com/projects/jidetech/remix-io-a-4k-nougat-powered-all-in-one-device

É mais poderoso que o Remix Mini, tem suporte a 4K e 60fps e o Remix OS que vem nele, além de se adaptar para ser desktop, console ou set-top box, pode rodar apps Android e Android TV.

O crowdfunding no Kickstarter vai durar um mês e a meta de 250 mil dólares deve ser batida facilmente, já que o Remix IO começa a 99 dólares. Entrega prometida para março do ano que vem, e pelas experiências anteriores é mais ou menos plausível acreditar na Jide sobre esta data.

AOC Mars: o tudo-em-um Remix OS

A Jide já tinha utilizado o Remix OS no Ultratablet, no Remix Mini (que, aliás, vai perder o suporte ao Google Play) e no beta do Remix OS para PCs (que nunca teve Google Play). Agora utiliza o fork Android no AOC Mars.

Com um Amlogic S905 (quad-core Cortex-A53), 2GB de RAM e 16 ou 64GB, o Mars não é nenhuma maravilha em termos de potência. Mas tem uma tela Full HD de 23″, quatro portas USB, uma Ethernet e duas HDMI – no mínimo, vira um “monitor com um plus a mais”.

Sim, claro, por enquanto (por enquanto?) só na China.

Jide Remix Mini e Remix OS, parte II: software

Jide Remix Mini com Motorola Lapdock

Este post foi feito em cima do Remix OS 2.0.16, baseado no Android 5.1, o mais atual para o Remix Mini quando este post foi publicado.

O Remix OS surgiu, junto com a Jide, quando apareceu o Ultratablet; um 2-em-1, surfando na onda do sucesso do Surface, que mostrava um Android forkeado e profundamente modificado para ser mais amigável com teclado e mouse. O tablet praticamente não saiu da China, mas o sistema operacional começou a ganhar interessados ao redor do mundo, saciados com o Remix Mini e o Remix OS para PC.

Desktop do Remix OS

O desktop é bem familiar; tem o que se espera de um ambiente desktop ortodoxo (ícones no desktop, menu iniciar, barra de tarefas, atalhos de som/rede/Bluetooth, data/hora, uso do botão direito), algumas dicas importadas do Windows 10 (barra preta, central de notificações, um menu iniciar que não parece vindo do Windows 7) e a bola/Home da barra virtual do Android, fazendo seu papel de voltar para o desktop – ou, com um pressionamento mais longo, de abrir o menu iniciar.

(E como alguém vai perguntar, o triângulo/Back da barra virtual do Android foi para o canto superior esquerdo das janelas enquanto o quadrado/Multitask… quem precisa dele quando se tem barra de tarefas?)

Vários apps no Remix OS

Os apps abrem, por padrão, em modo janelas, podendo ser minimizados, maximizados e fechados com os tradicionais botões; um clique com o botão direito no ícone do app na barra de tarefas permite fazer com o que o app seja reaberto em modo fullscreen, sendo necessário um mouseover para aparecer o chrome da janela. Duplo-clique com o botão esquerdo em cima da barra superior maximiza/desmaximiza a janela.

Chrome e Gmail

O Remix OS não seria um ambiente desktop sem um gerenciador de arquivos; é bem simples, cumpre seu objetivo de copiar e mover arquivos entre pastas e armazenamentos locais (memória interna, pendrives USB). Tem um compactador/descompactador chamado RAR e tem um app de limpeza de memória escondido nos ícones de notificações. Eu REALMENTE gostaria de saber porque todo mundo na China acha que o Android TEM que ter app de limpeza de memória.

A Jide fez um tremendo trabalho de customizar a interface do Android, e conseguiu seu objetivo: o Remix OS é o esforço mais bem-sucedido para fazer o Android se portar como um ambiente desktop. Os apps abrem em janelas, o ambiente é reconhecível como desktop, as coisas estão mais ou menos dispostas de maneira familiar, as teclas e suas combinações fazem o que a memória espera que elas façam na navegação pelo sistema. Com um pouco de tempo, é possível ter uma produtividade bem próxima a de um sistema operacional desktop “nativo”; dependendo da situação, o Remix pode ser tão ou até mais produtivo que um SO desktop, graças a coisas como os Intents.

Pocket em fullscreen

Nem tudo é perfeito, porque alguns problemas aparecem ao longo do uso:

  • Por padrão, o Remix OS “fala” inglês e chinês; para que fale português, é necessário ir em Settings -> Experimental features -> Global languages.
  • A acentuação no Android exige que se memorize Alt-e (acento grave), Alt-i (circunflexo), Alt-c (cedilha), Alt-n (til), Alt-u (trema).
  • Os apps Android não estão preparados para um mundo com teclado e mouse:
    • apps que dependem de pinch-to-zoom precisam que o usuário vá nas features experimentais e ligue o suporte a Ctrl-Alt-click+hold do mouse
    • barra de rolagem não se sabe não se viu, então o mouse estar com a rodinha de rolagem em dia é essencial.

Nenhum desses problemas invalida o que a Jide conseguiu. Não por acaso as pessoas estão empolgadas em rodar o Remix OS em PCs comuns; para quem quer ter a força, a versatilidade e os apps do Android no PC, o Remix OS é a melhor opção.

Jide Remix Mini e Remix OS, parte I: hardware

Jide Remix Mini com Motorola Lapdock

Parecia bom demais pra ser verdade: um PC completo, rodando um Android forkeado para funcionar melhor como um sistema desktop, a partir de 29 dólares no modelo mais barato, e ainda no Kickstarter. Muita gente, inclusive este que vos escreve, achou bom o suficiente pra deixar alguns trocados no crowdfunding. Recordes foram quebrados, os Minis foram entregues, um veio para minha casa e o resto taí.

As especificações do Remix Mini não são nada de fazer cair o queixo: um SoC quad-core Allwinner de 64 bits rodando a 1,2GHz, duas portas USB 2.0, Ethernet, saída HDMI, microSD, e 1GB/8GB ou 2GB/16GB de memória/armazenamento. Por outro lado, estas especificações garantem que o modelo de 2GB/16GB saia na Amazon a 70 dólares, o que é barato em qualquer situação.

Jide Remix Mini e Nexus 5

Traseira do Jide Remix Mini por cima do Nexus 5

A caixa é pequena, simples e só vem com o aparelho, o carregador e um cabo HDMI; o comprador precisa ter monitor, mouse e teclado à mão.

O aparelho não é muito mais sofisticado; os 12,4×8,8×2,6cm não permitem muitas portas – além das já citadas no parágrafo anterior, uma entrada para headphone e a entrada do carregador (sim, ele tem um carregador próprio, guarde-o muito bem!). E para quem perguntou “cadê o botão de ligar/desligar?”, ele é um botão capacitivo, localizado onde está escrito “Remix”.

Fora isso, realmente não há muito mais o que dizer no hardware: é pequeno, é quieto, cumpre seu papel de mostrar a capacidade do sistema operacional. É verdade que qualquer tentativa de, digamos assim, passar uma quarta ou quinta marcha acaba esbarrando nas limitações do SoC e da quantidade de memória; no entanto, no caso do modelo de 2GB, serve bem para um trabalho produtivo mais “padrão”.

Crowdfunding do dia: Remix Mini PC

Para os que estavam interessados na ideia do Remix OS mas não queriam gastar muito dinheiro no Remix Ultra nem tinham acesso ao Cube i7 Ultra, a Jide lançou o crowdfunding do Remix Mini no Kickstarter.

Evidente que já bateu a meta (50 mil dólares) logo nas primeiras horas, até 29 de agosto tem muito tempo. Só tome cuidado com o custo de envio, que começa em 15 dólares (é 30 dólares para o Brasil).